O Santo Real Arco

Várias foram às causas de atrito entre a Premier Grand Lodge (“dos Modernos”) e a Grande Loja criada para combatê-la (“dos Antigos”), durante os sessenta e dois anos de existência desta, antes da fusão de 1813, da qual resultaria a Grande Loja Unida da Inglaterra. Os “Antigos” criticavam os “Modernos” em vários pontos, mas a mais importante área de atrito foi, todavia, relativa ao Holy Royal Arch, que seria um quarto grau maçônico, depois considerado como extensão do mestrado.

Segundo os mais eminentes pesquisadores ingleses e a Quatuor Coronati Lodge os Masonic Researchs, não se sabe quando, nem onde, nem porque surgiu o Real Arco. Alguns autores crêem que os Antigos o criaram, porque ele teria sido compilado pelos maçons da Irlanda, que, certamente, praticavam a antiga forma da Franco-Maçonaria. Isso, todavia, é refutado por outros pesquisadores, inclusive irlandeses, que abordaram o tema, na metade do século XVIII, quando ia acesa a rivalidade entre Antigos e Modernos. Diante dos argumentos usados por ambas as partes, deve ser abandonada a asserção referente à origem em Dublin, na Irlanda, por ser falsa.

Da mesma maneira, não soa como verdadeiro que os Antigos tenham inventado o grau, já que Lawrence Dermott — o nome mais proeminente dos Antigos, autor do “Ahiman Rezon”, a verdadeira Constituição que regia sua Grande Loja — foi recebido no Real Arco em 1746, alguns anos antes da fundação da Grande Loja “dos Antigos”; além disso, existe a referência de um obreiro, recebido no grau, em Londres, antes de 1744, o que, evidentemente, não poderia ter acontecido em uma Loja “Antiga”. Na realidade, os ditos Antigos incrementaram o grau já existente, para estimular os maçons a aderir à sua Grande Loja; e Dermott, astuciosamente, o utilizou na sua luta contra os Modernos, fazendo com que sua Grande Loja tornasse o grau popular e facilmente alcançável por seus membros. Na edição de 1756, do “Ahiman Rezon”, ele o classifica como raiz, coração e medula da Franco-Maçonaria; e as leis de sua Grande Loja afirmavam que a Antiga Franco-Maçonaria consistia em quatro graus.

Em linhas gerais, o texto diz que, além dos três primeiros graus, existe um quarto, o Santo Arco Real, ao qual o maçom, versado nos outros três e também qualificado em outros aspectos, pode ascender. Fala que o quarto grau é o mais sublime e importante, e representa o ápice da perfeição da Antiga Maçonaria; que imprime na mente do obreiro, a firme crença na existência da Suprema Divindade, lembrando-lhe o respeito e a veneração devida ao seu Santo Nome.

Dirigindo-se diretamente aos maçons Modernos, Dermott dizia que eles tinham três graus e que os segredos do Mestre Maçom estavam perdidos no terceiro; e, depois, os convidava a aderir aos “Antigos”, que lhes poderiam conferir quatro graus, com aqueles segredos restaurados no quarto. Não é de estranhar, portanto, o entusiasmo pelo Real Arco, que foi o responsável pelo rápido crescimento dos “Antigos”.

Assim, os Modernos ficaram presos nas mãos dos Antigos; quando o Real Arco começou a ser praticado, era desconhecido em suas Lojas e só quando foi criada a Grande Loja dos Antigos é que os maçons modernos começaram a ser exaltados àquele grau, em número sempre crescente. Ainda assim, o Real Arco foi proscrito pela Premier Grand Lodge, que em diversas ocasiões, recusou-se a reconhecê-lo, mantendo atitude inabalável, embora isso lhe fosse prejudicial: em 1774, chegava a afirmar que, embora não podendo negar a existência do grau, dito mais elevado que os outros e chamado Real Arco, ele não era reconhecido pela Grande Loja.

Como os maçons da época possuíam um profundo sentimento religioso, parecia-lhes normal o ressentimento pela descristianização dos rituais da primeira Grande Loja. Além disso, o desenvolvimento da lenda de Hiram Abi (Hiram meu pai) prepara, naturalmente, a mente religiosa para alguma seqüência, cuja solução é dada pelo Real Arco, especialmente quando o vácuo entre a Arte Real e o Capítulo é preenchido pela cerimônia de instalação.

Depois de ter mantido nítida vantagem sobre os Modernos, por cerca de 15 anos, os Antigos viram o feitiço virar contra o feiticeiro, em 1766, quando, sem esperanças de ter o grau aceito por sua Grande Loja, maçons modernos do Real Arco sentiram-se suficientemente numerosos para formar um Grande Capítulo, o primeiro do mundo. Apesar do grande poder de que logo desfrutou, pela presença de nobres, como Grandes Oficiais do Capítulo, o grau continuou proscrito pela primeira Grande Loja, até a concretização da fusão das duas Grandes Lojas, em 1813, com a criação da United Grand Lodge of England.

Texto extraído do site da GLESP, escrito por José Castellani

Fonte: Site ARLS Bernardo de Claraval

O que é Maçonaria?

Ir. Fábio Mendes Paulino (19/10/2008)



Introdução
Maçonaria é uma das mais antigas sociedades fraternas seculares do mundo. As seguintes informações destinam-se a explicar a maçonaria como é praticada no âmbito da Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), que administra Lojas de Maçons na Inglaterra e no País de Gales, e em muitos lugares no exterior.
A explicação pode corrigir alguns equívocos.

Maçonaria é uma sociedade de homens preocupados com valores morais e espirituais. Os seus membros são ensinados nos seus preceitos por uma série de dramatizações ritualísticas, que seguem antigas formas, e usam os costumes e ferramentas dos “Pedreiros” (Trabalhadores com pedras – edificadores de Templos) como guias alegóricos.

A qualificação essencial para a adesão à Ordem

A qualificação essencial para admissão e permanência na Ordem é uma crença em um Ser Supremo. A Ordem Maçônica está aberta a homens de qualquer raça ou religião que possam desempenhar esta qualificação essencial e que sejam de boa reputação.

Maçonaria e Religião

Maçonaria não é uma religião, nem, tampouco, é um substituto para a religião. Ela abre a sua qualificação essencial para os homens de muitas religiões e que espera que eles continuem a seguir a sua própria fé. Ela não permite que a religião seja discutida em nenhuma reunião.

Os três grandes princípios

Durante muitos anos os maçons têm seguido três grandes princípios:

*O amor fraterno – Todo verdadeiro Maçom demonstrará tolerância e respeito pelas opiniões dos outros e agirá com bondade e compreensão para seus semelhantes.

*Auxílio/Assistência – Maçons são ensinados a praticar a caridade e cuidado, não só para si próprios, mas também para a comunidade como um todo, tanto pela caridade que dá, e pelo esforço voluntário e individual.

*Verdade – Os Maçons lutarão pela verdade, o que exige elevados padrões morais e com o objetivo de atingi-las em suas próprias vidas.

Os Maçons acreditam que estes princípios constituem uma forma de atingir padrões mais elevados na vida.

Caridade

Desde os primórdios de sua existência, a Maçonaria tem se preocupado com o cuidado de órfãos, dos doentes e dos idosos. Este trabalho continua hoje. Além disso, grandes somas são doadas no âmbito nacional e beneficência local.

Maçonaria e Sociedade

Maçonaria exige de seus membros o respeito pela lei do país em que um homem trabalha e vive. Os seus princípios não são de modo algum um conflito com os deveres de seus membros enquanto cidadãos, mas deveria reforçá-los no cumprimento das suas responsabilidades públicas e privadas.

A utilização por um Maçom da sua pertença à Ordem para promover-se ou de qualquer outra pessoa, ou de empresa, bem como interesses pessoais ou profissionais é condenável, e é contrária às condições em que ele procurou a admissão à maçonaria.

Seu dever como cidadão sempre deve prevalecer sobre qualquer outra obrigação de maçom, e qualquer tentativa de uma proteção Maçônica, no que tenha atuado com desonestidade ou ilegalmente é contrária a esta nobre missão.

Segredos

Os segredos da maçonaria estão relacionados com os seus modos tradicionais de reconhecimento. Não é uma sociedade secreta, uma vez que todos os membros são livres para serem reconhecidos em sua associação e fá-lo-ão em resposta a questões por motivos respeitáveis. Suas constituições e regras estão disponíveis ao público. Não há nenhum segredo sobre qualquer um dos seus objetivos e princípios. à semelhança de muitas outras sociedades, que considera alguns dos seus assuntos internos como questões privadas de seus membros, assim também é a Maçonaria.

Maçonaria e Política

Maçonaria não é política, e a discussão da política em reuniões maçônicas é proibida.

Outros Órgãos Maçônicos

A Maçonaria é praticada sob a responsabilidade de muitas Grandes Lojas Independentes com padrões semelhantes aos estabelecidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra.

Existem algumas Grandes Lojas aparentemente maçônicas e outros órgãos que não cumprem essas normas, por exemplo, que não exigem uma crença em um Ser Supremo, ou que permitam ou incentivem os seus membros, tais como a participar em assuntos políticos.

Estas Grandes Lojas e Órgãos não são reconhecidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra como sendo Maçonicamente regular, e qualquer contato maçônico com elas é proibido.

Conclusão

Um Maçom é incentivado a cumprir primeiro o seu dever ao seu Deus (seja qual for o nome por qual ele seja conhecido) por meio de sua fé e a prática religiosa; e, em seguida, sem detrimento para a sua família e os que dependam dele, ao seu próximo através de caridade e de assistência.

Nenhuma dessas idéias é exclusivamente maçônica, mas todas devem ser universalmente aceitáveis. Espera-se que os Maçons as sigam.

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Fonte: http://www.ugle.org.uk/masonry/what-is-freemasonry.htm

A Maçonaria na Terra Santa

Onde judeus, árabes e cristãos são irmãos

por Sheila Sacks

Vivendo em Israel há cinquenta anos, Leon Zeldis, Cônsul Honorário do Chile em Tel Aviv, já ocupou o mais alto cargo da Maçonaria israelense. Ele assinala que não existe impedimento entre o Judaísmo e a Maçonaria. E mais: rabinos e hazanim (oficiantes cantores das sinagogas) pertencem a Ordem, e na cidade de Eilat, no extremo sul do país, na fronteira com o Egito, uma loja maçônica chegou a funcionar em uma sala da Yeshivah (escola religiosa para formação de rabinos). “A Maçonaria Israelense é um exemplo de convivência e tolerância”, destaca Zeldis. “O que procuramos mostrar é que é possível conviver, judeus, árabes e cristãos, como irmãos.”

Por um mundo melhor:

Existem várias maneiras de ajudar ao próximo. Ser maçom é uma delas. Para Leon Zeldis Mandel, 80 anos, título de “Grão-Mestre, Soberano Grande Comendador, Grau 33”, a Maçonaria não melhora o mundo, mas os maçons, sim. Nascido na Argentina, Zeldis viveu no Chile, formou-se engenheiro têxtil nos Estados Unidos e fundou, em 1970, a primeira loja maçônica de Israel de língua espanhola. Escritor, poeta e conferencista, é autor de 15 livros e de mais de 150 artigos e ensaios publicados em diversos idiomas. Seus livros, “As Pedreiras de Salomão”, “Estudos Maçônicos” e “Antigas Letras” foram traduzidos para o português. Também é membro honorário da Academia Maçônica de Letras de Pernambuco.

Residindo em Israel desde 1960, Zeldis foi presidente do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo de Israel. Suas atividades como conferencista e profundo conhecedor da história da Maçonaria o levaram às principais cidades da Europa e do continente americano. No Brasil participou do Congresso Internacional de História e Geografia Maçônica, realizada em Goiana (1995). Foi distinguido como membro honorário dos Supremos Conselhos da Turquia, Itália, França e Argentina.

Com dois mil membros, a Maçonaria em Israel foi oficializada em 1953, mas desde o século XIX os maçons estão na Terra Santa. Em 1873 foi instalada a primeira loja regular em Jerusalém. Depois, em 1890, outra loja foi constituída em Jaffa. Atualmente, setenta lojas funcionam em Israel, desde Naharía, ao norte, até Eilat, com um número apreciável de irmãos árabes (cristãos e muçulmanos), funcionando em seis idiomas, além do hebraico e do árabe.

Em 2007 mantive contato com Zeldis que falou um pouco mais sobre a Maçonaria e os judeus.

A Maçonaria existe desde os tempos de Moisés ou é ainda mais antiga?

- As lendas maçônicas estão baseadas na época da construção do Templo de Jerusalém pelo rei Salomão e depois na sua reconstrução pelos judeus que regressaram do exílio da Babilônia. Mas, para a Maçonaria, tudo isso não passa de histórias mitológicas. O certo é que existiram na Europa associações de construtores medievais (maçons operativos) e somente no século XVII começaram a ingressar nas lojas pessoas que não eram trabalhadores de construção. Finalmente, no início do século XVIII as lojas já eram totalmente simbólicas (maçons especulativos). Depois da fundação da primeira Grande Loja de Londres, em 24 de junho de 1717, a Maçonaria Simbólica e Especulativa se propagou rapidamente pela Europa e por todos os países onde existia a liberdade de consciência.

Quais sãos as principais atividades sociais e humanitárias das lojas?

- A Grande Loja realiza diversas obras de beneficência, mas, além disso, cada loja se preocupa em fazer trabalhos que sejam bons para a comunidade. Minha loja, “La Fraternidad 62”, de Tel Aviv (que trabalha em espanhol), nos últimos anos tem enviado material médico a hospitais, bicicletas a meninos etíopes e também fez uma importante doação para uma instituição que cuida de crianças com problemas familiares. A Ordem também financia bolsas de estudos para estudantes pobres e presta ajuda a instituições de assistência aos cegos, entre outras ações.

Como a sociedade israelense vê a Maçonaria?

- Em geral, a Maçonaria é pouco conhecida em Israel, porque as nossas atividades beneficentes são feitas com discrição, sem publicidade. Todavia, personalidades importantes da sociedade israelense são ou foram, no passado, maçons, incluindo aí juízes, médicos, prefeitos e outros. O fundador da escola agrícola Mikveh Israel (a primeira escola agrícola judaica moderna implantada na terra de Israel, em 1870), Carl Netter, era maçom, assim como também foram o prefeito de Haifa, Shabetay Levy ( trabalhou para o Barão de Rothschild e foi prefeito de Haifa entre os anos de 1940 a 1951) e Itamar Ben Avi (jornalista e escritor, ajudou a concluir o Dicionário da Língua Hebraica). Todos são nomes de ruas em Israel.

É possível ser maçom e praticar o judaísmo convencional?

- Não existe nenhum impedimento entre o Judaísmo e a Maçonaria. Nós temos na Ordem rabinos e hazanim, e o ex-Grão Rabino do país, Israel Lau (sobrevivente do campo de concentração de Buchenwald), apesar de não ser maçom, assiste as nossas festividades e realiza conferências em nossas lojas. Em Eilat, durante algum tempo, a loja funcionou em uma sala da Yeshivah local. O rabino também era maçom. Na história recente, os Rabinos Chefes da Inglaterra e da África do Sul eram ambos maçons.

Qual é a visão dos judeus maçons acerca da situação política do Oriente Médio?

- A Maçonaria israelense – seguindo a tradição das lojas da Inglaterra e da Escócia – não tem nenhuma interferência na política. O que procuramos demonstrar é que é possível conviver em paz, árabes e judeus, tratando-se com afeto, como irmãos.

Qual é a importância da cidade de Jerusalém na Maçonaria?

- A cidade de Jerusalém e seu Templo têm um papel central nas tradições maçônicas. Nas escavações realizadas nas bases do muro ocidental, o arqueólogo Warren descobriu uma sala que acreditava ser um templo maçônico. Outros arqueólogos têm contestado esta suposição, porém o fato é que no centro da sala existe uma coluna de mármore branca que não chega ao teto, ou seja, não tem nenhum propósito estrutural. Quando Warren explorou este recinto, havia duas colunas, como nos templos maçônicos (o inglês Charles Warren conduziu importantes escavações em Jerusalém, entre 1867 a 1870).

A Maçonaria ajudou na Independência de Israel?

Qual é a relação entre a Maçonaria e os Essênios que habitavam as cercanias do Mar Morto, 150 anos antes da Era Comum?

- Existem certos aspectos dos Essênios, como o processo de ingresso e a ordem nas reuniões, que guardam algumas semelhanças com a Maçonaria, mas não existe nenhuma relação direta.

Qual foi a contribuição do Judaísmo à Maçonaria?

- Quase todas as palavras de acesso e chaves secretas da Maçonaria são palavras hebraicas. Além disso, a relação com o Templo de Jerusalém é fundamental na Maçonaria. No entanto, é preciso dizer claramente que a Maçonaria não é uma religião e não está ligada ao Judaísmo, a não ser por tradições que eu já mencionei e o uso de palavras hebraicas.

Como a Maçonaria avalia as campanhas transnacionais anti-Israel por parte da mídia e ONGs de todos os tipos?

- A ignorância e o preconceito são difíceis de combater quando são financiados por inimigos do progresso e da democracia. O exemplo mais contundente de ignorância e fanatismo cego é o constante uso do “Protocolos dos Sábios de Sião” para atacar tanto o Judaísmo como a Maçonaria, apesar de que faz mais de um século que se demonstrou de forma indiscutível de que se trata de uma fantasia antissemita, baseada em um livro de um escritor francês (Joly) e de um novelista alemão (Goedsche), escrita por um agente da Okrana (polícia secreta do Czar), em Paris. Não importa quantas vezes se tem demonstrado a falsidade do livro, mesmo assim ele vem sendo publicado nos países árabes e em outras partes do mundo. Não há outro remédio do que seguir contestando as mentiras – com a esperança de que a verdade finalmente triunfe – e educando as novas gerações nos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade.

Desafios do Século XXI

Em seu livro “Antigas Letras”, Zeldis defende alguns aspectos que devem mobilizar a atenção da Maçonaria no século XXI, no tocante a sua importante função na sociedade contemporânea. A ênfase na educação (laica e maçônica) é vital, segundo Zeldis, para melhorar a sociedade e o indivíduo. “A importância da educação está precisamente em adquirir a capacidade de julgar, categorizar, classificar e avaliar a qualidade da informação recebida, não somente pelo seu conteúdo textual, mas também do ponto de vista ético e teleológico.” A simples transferência de informações pode se constituir, na maioria das vezes, em um armazenamento de conhecimentos que oprime e sobrecarrega o ser humano, impedindo-o de analisar e refletir sobre o essencial, escreve Zeldis. E cita o filósofo alemão Friedrich Krause (1781-1832), para quem a educação é algo que a grande parte das pessoas recebe, muitos transmitem, mas muito poucos têm. “O que equivale a dizer que muitíssimas pessoas sabem ler, porém são incapazes de reconhecer o que vale a pena ler”, conclui o autor.


Maçons Ilustres

Elaborada pela loja São Paulo 43 – fundada em 1945 e que desenvolve importantes projetos na área social – a listagem relacionando os maçons ilustres de vários países inclui o nosso entrevistado, o portenho Leon Zeldis, nesse grupo seleto de pessoas que “fizeram da virtude a sua principal causa na vida.” Ao lado de José de San Martin, libertador da Argentina, Chile e Peru. Entre os brasileiros, destacam-se os maçons Rui Barbosa, D.Pedro I, Padre Diogo Antônio Feijó, Deodoro da Fonseca, Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), José Maria da Silva Paranhos (Visconde do Rio Branco), Carlos Gomes, Epitácio Pessoa, José do Patrocínio, Benjamim Constant, Casimiro de Abreu, Joaquim Rabelo e Caneca (Frei Caneca), Oswaldo Aranha, Nelson Carneiro e Evaristo de Morais. Em relação aos maçons de Israel, dois nomes são listados: Menachem Begin e Itzhak Rabin, ambos primeiros-ministros e ganhadores do Prêmio Nobel da Paz (1978 e 1994). O rei Talal Hussein, da Jordânia, e Abd El-Kader, fundador do estado da Argélia, são os maçons ilustres dos países árabes.

Maçons no Museu do Holocausto

O Museu do Holocausto, em Washington (United States Holocaust Memorial Museum), inaugurado em 1993 com a finalidade de preservar a memória do mais trágico momento vivido pela humanidade no século XX, coloca à disposição dos visitantes documentos e fotos que contam a história da Maçonaria sob o regime nazista da Alemanha.

A perseguição teve início em 1933, quando o governo alemão emitiu decreto visando a dissolução voluntária das “lojas”. Um ano depois, aquelas que ainda não tinham sido fechadas, foram forçadas pela Gestapo (polícia secreta do partido nazista) a encerrar as suas atividades. Ainda em 1934, outro decreto definia a Maçonaria como “hostil ao Estado” e ilegal.

Apertando o cerco, o serviço de segurança das SS (polícia nazista), comandado por Reinhard Heydrich, criou um setor especial – a Seção 2/111 – voltado para a aniquilação da Maçonaria e de seus membros. Uma campanha difamatória ligando os maçons a teorias conspiratórias se estendeu por todos os países da Europa sob o domínio da Alemanha Nazista. Em 1940, a França ocupada declarou os maçons inimigos do Estado, pondo a polícia para vigiá-los e prendê-los, e emitindo cartões de identificação semelhantes à estrela amarela dos judeus.

É difícil saber o número exato de maçons mortos em campos de concentração, porque muitos foram arrolados como opositores ao governo ou associados aos focos de resistência ao nazismo nos países invadidos. Atualmente, calcula-se que existem 6 milhões de maçons em 164 países (58% nos Estados Unidos), sendo que o Brasil congrega, aproximadamente, 150 mil distribuídos em 4.700 “lojas” de um total de 9 mil instaladas em toda a América do Sul.

Reportagem – Ir.’. Enzo Trombetti | Diário de S. Paulo

Enzo Trombetti mantinha interesses em áreas distintas. Psicólogo formado pela FMU, se tornou também técnico em patologia clínica e analista de sistemas (formado pelo Mackenzie). Durante o curso, dava aula de informática para psicólogos ainda quando começou a despertar o interesse pela tecnologia junto aos profissionais da área.

Filho de Enrico Trombetti, italiano de Bolonha, e de Zoel Rosa Trombetti, natural da cidade de Bauru, no interior paulista, estudou no Colégio Liceu Coração de Jesus, em São Paulo. Era maçon, venerável da loja maçônica Zohar 694, em Pinheiros, e também foi venerável da Loja União 112.

Ir.'. Enzo Trombetti

(Ir.’. Enzo Trombetti ao lado da cunhada Rosângela em evento social maçônico | Jun-2009 – foto arquivo ARLS Zohar)

A família lembra de seu empenho em ajudar os mais necessitados. Dentre suas atuações solidárias, colaborou com o Recanto da Vovó, em São Paulo, atuando no voluntariado e na organização de eventos da instituição.

Enzo mantinha também duas paixões: o rock progressivo, chegando até a coordenar um  programa de rádio sobre o estilo musical, e  o futebol de mesa – também chamado de “botão” -, esporte que ganhou lhe rendeu alguns campeonatos amadores.

Morador dos Campos Elíseos, no Centro, era casado com Rosângela Maria Marega Trombetti. Enzo morreu aos 51 anos, no último dia 25, vítima de um câncer.  Deixa viúva, a mãe Zoel e duas filhas, Haline, de 23 anos, e Leilane, de 16. O enterrado foi no Cemitério do Araçá. Na mesma igreja onde ele se casou em 1986 e batizou as duas filhas será realizada a missa de 7 dia, amanhã, às 19h30, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na região central.

Fonte: Diário de S. Paulo – 30.10.2010

O Segredo Maçônico

O segredo maçônico é de natureza única, mística e individual, de maneira que não pode nunca ser violado ou traído.
Só pode ser realizado por aquele maçom que o busca para usá-lo construtivamente, com sinceridade e fervor, absoluta lealdade, firmeza e perseverança no estudo e na prática da Arte Sagrada.
A Maçonaria não se revela efetivamente senão a seus verdadeiros adeptos, àqueles que a ela se doam por inteiro, sem reservas mentais, para se tornarem verdadeiros maçons, isto é, Obreiros Iluminados da Inteligência Construtora do Universo.
Isto é conseguido por intermédio de provas que constituem os meios pelos quais torna-se manifesto o potencial espiritual que dorme em estado latente na vida rotineira, as provas simbólicas iniciais e as provas posteriores do desânimo e da decepção.
Dentro de cada ser humano existem muitas faculdades ocultas, que podem ser despertadas através de práticas.
Quem se deixar vencer pelas provas, assim como aquele que ingressar na Associação com um espírito superficial, deixará de conhecer aquilo que a Ordem encerra sob sua forma e seu ministério exterior, deixará de conhecer seu propósito real e a Força Espiritual oculta que interiormente anima a Ordem.
Seu tesouro acha-se escondido profundamente na terra.
Só escavando, ou seja, buscando-o por baixo da aparência, podemos encontrá-lo.
Quem passa pela Instituição como se fosse uma sociedade qualquer ou um clube profano, não pode conhecê-la; somente permanecendo nela longamente, com fé inalterada,
esforçando-se em tornar-se verdadeiro maçom e reconhecendo o privilégio inerente a esta qualidade, ela revelará o seu tesouro oculto.

Autor: anônimo

Irmão Mário Behring – Fundador das Grandes Lojas Brasileiras

Impossível seria expor em poucas páginas um relato completo e abrangente de uma Potência Maçônica que figura hoje entre as mais ativas e influentes do mundo. O que farei, em rápidas pinceladas algo impressionistas, será destacar alguns fatos de sua trajetória que me parecem mais relevantes no que diz respeito às duas dimensões, aparentemente contraditórias, mas na realidade complementares, que caracterizam a Instituição Maçônica: Tradição e Modernidade.

Na sua dimensão tradicional, a Maçonaria recolheu ao longo de sua História e conserva fielmente em seu bojo alguns dos maiores tesouros espirituais e culturais daquilo que se convencionou chamar de Civilização Ocidental: as tradições das corporações de pedreiros e construtores e das Ordens de Cavalaria da Idade Média, os ritos e os mitos dos antigos Mistérios das antigas civilizações do Oriente Médio e do chamado Mundo Clássico (Grécia e Roma) e elementos doutrinários e símbolos oriundos da Gnose, do Hermetismo, da Alquimia e da Cabala. Na sua dimensão moderna, a Maçonaria tem sido um dos principais canais de transmissão e difusão dos ideais iluministas, liberais e democráticos.

No Brasil, a Instituição Maçônica esteve sempre na vanguarda dos movimentos sociais e políticos, exercendo decisiva influência no movimento pela Independência, no processo de emancipação da mão-de-obra escrava e no movimento pela implantação do Regime Republicano e pela laicização do Estado Brasileiro.Nos anos vinte do século passado, ventos renovadores abalam as estruturas da sociedade brasileira, dominada pelos oligarcas rurais cafeicultores (São Paulo) e pecuaristas (Minas Gerais) que se alternam no poder durante a chamada “República Velha”. Jovens oficiais pegam em armas sonhando concretizar suas utopias: é o fenômeno do “Tenentismo”.

A cidade de São Paulo é um cadinho cultural cosmopolita: os imigrantes italianos para cá transplantam sua riquíssima bagagem cultural e artística e também seus ideais anarquistas e socialistas. Em 1922, um grupo de artistas criativos e inovadores realiza a Semana de Arte Moderna, rompendo com a submissão ao academicismo europeu.Mário de Andrade e seus companheiros de ideal escandalizam a Paulicéia lançando o Movimento Antropofágico, buscando a renovação de nosso mundo artístico através de um mergulho nas mais profundas raízes de nossa nacionalidade. Surge Macunaíma, o primeiro anti-herói brasileiro.

O país caminha a largos passos rumo a seu primeiro movimento realmente modernizador: a Revolução de 1930. A Maçonaria Brasileira não poderia ter permanecido imune a esses ventos de renovação: em 1927 surge o movimento pela implantação das Grandes Lojas, que visa tornar a Ordem Maçônica no Brasil mais preparada para salvaguardar sua herança tradicional, em consonância com a Maçonaria Mundial, e a continuar cumprindo seu papel de arauto da Modernidade em uma sociedade que se prepara para viver sua primeira Revolução Modernizadora. À frente desse movimento, um homem extraordinário que ainda aguarda que sua atuação seja devidamente estudada pelos historiadores: Mário Marinho de Carvalho Behring (1876-1933).

Nascido em Ponte Nova (MG), cursou o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro e formou-se engenheiro agrônomo pela Escola Agrícola da Bahia em 1896. De volta a sua cidade natal, exerceu o cargo de Diretor de Obras do Município e fundou o Externato Pontenovense. Lançou o jornal Tupinambá para criticar a administração municipal que passou a persegui-lo. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, em 1902. No ano seguinte, prestou concurso para trabalhar na Biblioteca Nacional. Aprovado em primeiro lugar, passou a ocupar o cargo de chefe da Seção de Manuscritos. Em 1924, o Presidente Artur Bernardes o nomeou Diretor da Biblioteca Nacional, posto em que se manteve até 1932.

Exerceu intensíssima atividade jornalística, colaborando nos jornais O Imparcial e Jornal do Comércio. Fundou, ao lado de vários colaboradores, as revistas Fon-Fon, Careta, Ilustração Brasileira, Cinearte, Para-Todos, Revista da Estrada de Ferro e Cosmos, nas quais escrevia usando vários pseudônimos. Foi um jornalista criativo a quem devemos inúmeras inovações nas revistas que ajudou a criar. Lembremos que Careta foi uma importante revista humorística a satirizar o governo, a classe política e os costumes da época, vindo a ser uma importante fonte para o estudo da História Social brasileira no período. Deixou-se empolgar pelo cinema e instituiu em sua coluna de crítica cinematográfica da revista Para-

Todos a chamada bolsa de cinema, com o objetivo de ajudar o público a optar pelos melhores espetáculos em cartaz. Batalhou em prol do cinema educativo e estimulou a construção de boas salas de exibição no país. Sua vida maçônica teve início em sua cidade natal em 1897, ao ser iniciado na Loja União Cosmopolita (REAA), na qual exerceu posteriormente o cargo de Venerável Mestre. Ao se transferir para o Rio de Janeiro, filiou-se à Loja Ganganelli (Rito Moderno), da qual foi duas vezes Venerável Mestre, em 1903 e 1910. Recebeu o Grau 33 do REAA em 1902. Ocupou vários cargos administrativos no Grande Oriente do Brasil, sendo eleito Grão-Mestre do mesmo em 1922. Na época, várias irregularidades dificultavam a plena integração do Grande Oriente do Brasil no seio da Maçonaria Internacional: o Supremo Conselho administrava conjuntamente o REAA e o Rito Moderno e o cargo de Soberano Grande Comendador era exercido pelo próprio Grão-Mestre da Potência Simbólica, enquanto que a regra internacionalmente admitida obriga que os Graus Simbólicos e os Altos Graus sejam administrados separadamente.

Tomando aguda consciência do peso dessas irregularidades ao participar, como Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, do Congresso Maçônico de Lausanne (Suíça) em 1921, Mário Behring iniciou um trabalho de ajustamento da Maçonaria Brasileira aos padrões internacionais que acabou dando origem, em 1927, às Grandes Lojas Brasileiras, a primeira das quais foi implantada na Bahia. No dia 2 de julho de 1927, no Templo Centenário, pertencente à Loja Amizade Nº 1 e sediado à Rua Tabatinguera 37, foi realizada a Sessão de Instalação da Grande Loja do Estado de São Paulo (G.L.E.S.P.), tendo sido designado Grão-Mestre Provisório o Irmão Carlos Reis, que permaneceu à testa da nova Obediência até sua passagem para o Oriente Eterno em 1931.

Sucedeu-o no cargo seu irmão carnal Benjamin Reis, que governou a G.L.E.S.P. durante os dias negros do Estado Novo, quando a Obediência permaneceu fechada por dois anos e nove meses, a partir de setembro de 1937, por imposição do ditador Vargas. Em 1944 foi eleito Grão-Mestre o Irmão Carlos Reis Filho diretor da Secretaria de Educação do Estado e filho do primeiro Grão-Mestre. Permaneceu no cargo até 1950, quando foi substituído pelo Irmão Alcides do Valle e Silva, coronel e professor da Força Pública do Estado de São Paulo (atual Polícia Militar).Devo aqui abrir um espaço para registrar um fato que, na minha perspectiva, se reveste de suma importância para se avaliar o papel da G.L.E.S.P. na História da Maçonaria Mundial. Em 7 de janeiro de 1951 falecia no Cairo o Irmão René Guénon, um dos mais importantes pensadores maçônicos do século XX, e profundo conhecedor das tradições espirituais do Oriente e do Ocidente.

De 1929 até 1950 manteve o grande tradicionalista francês correspondência com um amigo brasileiro, o fazendeiro Fernando Guedes Galvão, residente em Amparo, SP, que o havia conhecido pessoalmente em Paris. Na carta nº 23 da correspondência Guénon – Galvão, datada do Cairo a 12 de novembro de 1950, o pensador francês menciona explicitamente a G.L.E.S.P.: – Estou muito curioso de saber o que o Sr. pôde constatar no que concerne à Grande Loja de São Paulo e às tendências que existem nesse meio; seria de desejar que elas fossem favoráveis, mas, bem entendido, de maneira nenhuma sei o que poderá ser… Em sua derradeira missiva a Galvão (carta nº 24) datada do Cairo a 23 de novembro de 1950, a menos de dois meses antes de sua passagem para o Oriente Eterno, Guénon retoma a questão, cobrando de seu correspondente brasileiro informações sobre a G.L.E.S.P. com uma certa impaciência: – O Sr. não me disse ainda se pôde estabelecer contacto com a Grande Loja de São Paulo, como era sua intenção. Eu estaria muito interessado em saber do que se trata, e, em caso afirmativo, qual a impressão que o Sr. teria tido desse meio.

Vemos, através dessas linhas, que o Irmão René Guénon, que muito se bateu pela salvaguarda dos aspectos espirituais e tradicionais da Maçonaria, praticamente passou para o Oriente Eterno com os olhos postos na G.L.E.S.P., nutrindo talvez a esperança de que ela viesse a se constituir em um baluarte de defesa dos mais autênticos princípios da Ordem Maçônica (1).As instalações materiais da Potência Maçônica que atraiu as atenções de René Guénon foram, de início, bastante simples. Em seus primeiros anos, a G.L.E.S.P. funcionou hospedada nas dependências da Loja Amizade. Quando esta se desligou da Grande Loja, esta última foi transferida para a Rua Pedro Lessa 2, onde permaneceu de 1933 a 1936. Passou depois a funcionar na Rua General Osório 141, no bairro de Santa Ifigênia.

Em julho de 1940, depois do período de hibernação imposto pela ditadura, a G.L.E.S.P. retomou suas atividades, agora na rua Bresser 1.145, no bairro do Brás, em dependências bastante precárias, improvisadas em cima de uma garagem, no fundo do quintal de uma residência cedida gratuitamente. Em 1949 foi transferida para o número 1.805 da mesma rua, perto da Rua Visconde de Parnaíba, a poucos passos da casa onde o autor destas linhas, sem nada saber de Maçonaria, vivia alegre e despreocupadamente os anos de sua infância… Em 1950, o Grão-Mestre Alcides do Valle e Silva locou duas salas no Edifício do SESC, na Rua Riachuelo. Em 1953 a G.L.E.S.P., conseguiu sua primeira sede própria, doada pela Loja Perfeita Amizade, na Rua São Bento 405, 10º andar, no famoso Prédio Martinelli. Em 1956 foi eleito quinto Grão-Mestre de nossa Potência o Irmão Francisco Rorato (1911 – 1983), um dos mais ativos e corajosos líderes maçônicos do século XX, autor dos primeiros projetos que contribuíram para a grandeza da G.L.E.S.P. de hoje. A ele a Grande Loja deve o lançamento de seu periódico

A Verdade, a fundação da Ação Social Gonçalves Ledo e, principalmente, a construção do atual Palácio Maçônico, na Rua São Joaquim 138, no bairro da Liberdade, inaugurado em 1961, época em que o autor deste relato, que continuava a desconhecer totalmente a Maçonaria, começava a trabalhar como tradutor de filmes japoneses no Cine Tóquio – hoje transformado em igreja evangélica -, situado exatamente em frente da nova sede da Grande Loja. Lembro-me de que muitas vezes ficava então olhando para aquele imponente palácio de linhas clássicas e austeras, morto de curiosidade de saber que segredos se ocultariam atrás daquelas sólidas paredes…Lembremos que o Irmão Rorato foi novamente eleito Grão-Mestre em 1974.

No ano seguinte, tive um contacto, através de um aluno da USP que se dedicava à música, com seu Grão-Mestre Adjunto, o Irmão Hervê Cordovil, a primeira pessoa a conversar comigo sobre Maçonaria… Em 1977 Rorato presidiu os festejos do Cinqüentenário da G.L.E.S.P., dentre os quais se destaca a inauguração, no Hall Nobre do Palácio Maçônico, da Célula do Tempo, uma urna contendo registros, documentos, jornais, dinheiro, passes de bonde e outros testemunhos da época, que deverá ser aberta no ano de 2027, quando da celebração do Centenário da Instituição. Rorato soube se cercar de colabores competentes e dedicados como o Irmão Teobaldo Varolli, douto pesquisador da Doutrina Maçônica e autor de excelentes manuais de introdução ao estudo dos Graus Simbólicos, e o Irmão Erwin Seignemartin, que depois de prestar excelentes serviços na área de Relações Exteriores, foi eleito Grão-Mestre em 1977.Em suma, após a edificação do Palácio Maçônico, a G.L.E.S.P. prosseguiu sua brilhante trajetória, sempre conciliando a estrita fidelidade à mais pura tradição maçônica com um esforço contínuo no sentido da modernização de suas estruturas para ir acertando o passo com os novos tempos. Aqui só nos é possível registrar alguns dos momentos mais significativos dessa caminhada.

Lembremos, em primeiro lugar, a figura do Grão-Mestre Washington Pelucio, eleito em 1962 e reeleito em 1965, que criou em 1966 a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), entidade que congrega as Grandes Lojas Estaduais nascidas do sonho do Irmão Mário Behring. Em segundo lugar, cabe destacar a atuação do Irmão Erwin Seignemartin, Grão-Mestre de 1977 a 1980. Inteiramente dedicado à missão de estimular o crescimento da G.L.E.S.P. e de aprofundar e aprimorar o trabalho maçônico, quando deixou o Grão-Mestrado, a Obediência já contava com 180 Lojas a ela filiadas. Em terceiro lugar, cumpre destacar o trabalho de modernização da Instituição empreendido pelo Grão-Mestre Walter Ferreira, Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA), que exerceu seu mandato entre 1983 e 1986.

A ele deve a G.L.E.S.P. seu ingresso na Era da Informática, com a iniciativa da compra de seu primeiro computador. Sucedeu-o outro grande maçom, o Irmão Orpheu Paraventi Sobrinho que, entre muitas iniciativas, estabeleceu um roteiro de visitação às Lojas, aproximando-as da Administração Central, reorganizou os trabalhos dos Distritos Maçônicos, deu prosseguimento à informatização da Grande Loja, procedeu a reformas no Palácio, nomeou uma série de comissões para estudos da estrutura e da política da Instituição e reeditou os Rituais dos Graus Simbólicos, após um criterioso trabalho de revisão dos mesmos.Nos anos mais recentes, o desenvolvimento da G.L.E.S.P. prosseguiu a largos passos. Cresceu de maneira notável o número de Oficinas filiadas à G.L.E.S.P., que hoje se encontra presente praticamente em todos os rincões de nosso Estado. O Palácio foi reformado e ampliado, sendo construído um luxuoso Auditório para 200 pessoas.

Foi dado todo apoio à implantação das organizações paramaçônicas como os De Molays, as Rainbow Girls, a Eastern Star e os Lowtons. Dando seqüência ao trabalho de informatização, é criado o site da G.L.E.S.P. na Internet: http://www.mason.com.br – hoje http://www.glesp.com.br. Ampliou-se o leque dos tratados de reconhecimento firmados com as Potências Maçônicas e finalmente a G.L.E.S.P. conquistou o tão almejado reconhecimento por parte da Grande Loja da Inglaterra. Foi criada uma Secretaria da Cultura. Em junho de 2001 assume o Grão-Mestrado o Irmão Pedro Luiz Ricardo Gagliardi, Desembargador e Professor da Faculdade de Direito da USP, dando início a uma nova era na trajetória da G.L.E.S.P.. Além de prosseguir com as iniciativas encetadas por seus predecessores, o novo Grão-Mestre tem se esmerado em estimular eventos e atividades de natureza intelectual e cultural. Todo apoio é dado à Secretaria da Cultura, que já realizou um concurso de monografias aberto a todos os Irmãos da Obediência. Foram realizadas Exposições de Arte centradas em temáticas ligadas à Ordem. Foram lançados, sob os auspícios da G.L.E.S.P., livros de abalizados escritores maçônicos.

Foi criado o Coral da G.L.E.S.P., que já lançou seu primeiro CD por ocasião da Primeira Bienal do Livro e do CD Maçônico, inaugurada no dia 25 de agosto de 2003. É estimulada a criação de Oficinas a trabalhar no Rito de Emulação (erroneamente conhecido com Rito de York). Fomenta-se uma maior aproximação da Obediência com o mundo profano. Atenção especial é dispensada à dimensão iniciática e esotérica da Maçonaria, sendo criada uma Comissão de Estudos Herméticos. Enfim, sob a direção do Irmão Gagliardi a G.L.E.S.P. prossegue sua gloriosa caminhada como uma grande Potência Maçônica, digna do novo século que está se iniciando.Que o leitor me perdoe por, ao invés de uma narrativa abrangente e metódica da História da Grande Loja, só conseguir apresentar uma sucessão algo incoerente de episódios pinçados aleatoriamente aqui e acolá, entremeados por digressões subjetivas e reminiscências pessoais.

Acontece que é muito difícil para o historiador trabalhar com temáticas do tempo presente. Falta-lhe o necessário distanciamento em relação aos fatos, indispensável para a elaboração de uma análise equilibrada e objetiva. Acredito que ainda teremos um longo tempo pela frente antes que seja possível a elaboração de uma História da G.L.E.S.P. que faça jus à grandeza dessa extraordinária Potência da Maçonaria Paulista.

Janeiro de 2004

Irmão Ricardo Mário Gonçalves

Membro da Secretaria de Cultura da G.L.E.S.P.

(1) GONÇALVES, Ricardo Mário – A Maçonaria Brasileira na Correspondência Guénon – Galvão, em Cadernos de Pesquisas Maçônicas – 11, Londrina, A Trolha, 1996, pp. 93 – 99.

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Fonte – GLESP